terça-feira, 14 de julho de 2009

Retorno e agradecimentos...

Temos nossa cota diária de desafios, não necessitamos assimilar as provocações e incompreensões.

Olá,
Tem um tempão que não posto e gostaria muito de demonstrar toda a minha gratidão por aqueles que continuaram visitando o Blog, e também àqueles que adicionaram o meu MSN, com os quis pude estar trocando idéias sobre a dislexia.
Ah! Muito tenho falado (e rido) sobre o assunto. Também tenho feito novos contatos e descobertas nas trocas de figurinhas entre disléxicos. Algumas pessoas dizem não ver a menor graça na dislexia (com toda razão) e, portanto, não acreditam que haja motivo para um bom riso.
Tenho dito a todos, sempre, que, em algum momento, o ideal é que todos nós possamos rir da nossa situação (melhor que chorar ou lamentar). Não que este riso venha, necessariamente, quebrar a seriedade da questão, mas que um dia possamos encarar a situação (porque tudo é uma questão de ponto de vista, como nos diria o Clodovil) com mais leveza.
Algumas pessoas (disléxicos e pais de disléxicos) parecem muito deprimidos, apreensivos e decepcionados quando do primeiro contato com tal certeza. Porém, o que tenho a lhes dizer é que a situação não é para tanto, até porque integramos um universo de singularidades, onde o ideal é que nos adaptemos. Uma coisa boa também é aprender a tratar os desafios como desafios, e não como dificuldades. E, uma vez desafiados, precisamos crer em nossa capacidade pessoal de dar a melhor resposta que podermos.
As sensações de frustração e desânimo geradas pelo fato de a dislexia não corresponder ao modelo idealizado e padronizado de personalidade, fatalmente, não nos auxilia muito. Por isso mesmo, muito particularmente, creio que estes devem ser os primeiros a saírem do quadro de nossa historia.
Assim, se você é disléxico ou lida com um (ou mais), e tem que ouvir alguém falar de suas limitações ou incapacidades, siga a seguinte instrução:
• Finja que não ouviu, afinal, esta é uma das nossas características mais úteis num momento como este;
• Procure esquecer definitivamente o ocorrido, e isto nós fazemos muito bem;
• Jamais, mas jamais mesmo, tente provar que o seu desafiante estava errado, afinal, não precisamos provar nada para ninguém. Nós já possuímos nossa cota diária de desafios.
Fiquem bem. Que A divindade que se perfaz em nós sejam saudadas e até breve!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Aceitação; um importante passo para a autonomia do disléxico.

Bom... Faz tempo que não posto aqui ou em qualquer outro blog meu. Nem quero perder a atual oportunidade narrando os motivos. Como tudo o que há, foram bons e ruins. Importa que entre mortos e feridos todos sobreviveram e é muito bom encontrar oportunidade agora. Quero aproveitá-la.

Continuo sempre e sempre muito grata aos leitores do Blog, e graças a um leitor em especial encontrei tempo para esta postagem; o paulista Adriano, do blog irmão:

http://manosnarf.blogspot.com/

O nosso amigo Adriano também é disléxico e sofre com síndrome de “incapacidade crônica”. Aquela mesma que a maioria de nós conhecemos tão bem e da qual tenho falado aqui sempre que encontro ocasião.

Pessoas disléxicas, geralmente, tendem a buscar desenvolver algumas atividades nas quais possam se destacar, numa tentativa desesperada de mostrar que não é tão incapacitado quanto se faz parecer.

Na maioria dos casos esta tentativa resulta em êxito, o que o deixa mais à vontade consigo mesmo. Desta forma a pessoa antes insegura e desastrada, a incapaz, passa a ser o “bom” em determinada atividade. Ocorre que, quem o observa na realização de uma ou mais atividades em que se tornou hábil tende a imaginar que esta pessoa é boa em tudo ou quase tudo. Os que se alegram com isto e o admiram lhe oferecem oportunidades que são aceitas muitas vezes e que nas quais, fatalmente, fracassam muitas vezes também. Os que não recebem de muito bom tom seus “dons” colocam-se imediatamente a buscar aquilo no que o sujeito não é bom, e é óbvio que descobrem e muitas vezes o ridicularizam em suas dificuldades.

Disléxicos e não disléxicos convivem com estes dois tipos de pessoas. E nossa proposta no momento não é ensinar a lidar com uma ou outra, mas conosco mesmo e com a dislexia.

Saber que somos disléxicos, e quais outros distúrbios podem estar associados à nossa dislexia não é nosso fim, e sim o começo. Depois do diagnóstico precisamos nos posicionar, procurar profissionais que possam nos auxiliar a lidar com a situação e sair do armário. É isso sim! Sair do armário faz parte do processo. Esconder o caso, fingir que não é com você só piora a situação. Tudo fica mais viável a partir do momento que você diz do que se encontra capaz o que pode ser melhorado e o que absolutamente não será capaz de realizar no momento. Pronto!

É simples assim? Sim. Mas não é fácil, e nem poderia. O mercado de trabalho não precisa de gente que esquece tudo a todo o momento, que não pode confeccionar um texto num záz-tráz, que pode dizer uma coisa no lugar de outra e ainda ser desastrado por não possuir uma boa coordenação motora. Isto é cru, mas é real.

Por outro lado, a dislexia permite ao sujeito criar para si uma atividade autônoma. Isto! Desenhos, projetos, pesquisas, fotografias, música, esporte... São tantas as oportunidades e você certamente possui alguma habilidade especial. O trabalho autônomo permite ao disléxico ser seu próprio patrão, o que dará a maioria de nós a possibilidade de driblarmos o nosso probleminha com a insônia.

Poder fazer seu próprio horário de trabalho e ter controle pessoal sobre suas atividades pode nos tornar mais produtivos e um emprego formal talvez não nos faça tanta falta assim. Mas quando o assunto é mesmo formalidade tudo o que nos resta e conversar abertamente com nossos superiores na empresa. Não lhes mostrando a dislexia em si, mas tudo o que podemos realmente fazer e que também seja interesse da empresa. O diálogo ainda pode ser um menor caminho a se traçar.

Reconhecer-se disléxico e buscar compreender no que realmente podemos nos dar bem talvez nos leve a poupar tempo e tensões.

Quanto à auto-estima. Tem alta auto-estima quem se aceita, se compreende e se impõe desafios que sabe pode alcançar. A baixa auto-estima resulta de quem traça para si obstáculos intransponíveis procurando, antes, aviltar-se que vencê-los. Lembremo-nos sempre de que não é para os outros que nos desafiamos, mas par anos mesmos. Se tivermos que fazê-lo que seja sempre com base no auto-respeito, no auto-conhecimento, na auto-aceitação e no auto-amor. Continuem comentando e compartilhando. Fiquem bem e até a próxima!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Passando para agradecê-los e cumprimentá-los...

Olá, muito tempo passou sem que eu tenha atualizado nosso espaço. Mas, quero de pronto agradecer aos nossos visitantes e assinantes do RSS. Obrigada mesmo pelo apoio! Participem mais, comentem, opinem e coloquem seu pensamento sobre o assunto. Dialoguemos sobre a dislexia, afinal, este é o maior propósito deste site. Estou pensando em fazer algumas mudanças, espero que para melhor, e toda dica será bem vinda.

Embora tenha me ausentado do blog, não tenho deixado de freqüentar as comunidades sobre o assunto, e estimulo a todos que buscam conhecer mais sobre o tema a conhecê-las também. Por lá tenho tido contato especialmente com as dificuldades que os pais enfrentam com as escolas dos filhos após o diagnóstico. Tomei ciências de casos revoltantes. Talvez você, neste momento, esteja passando por algo assim. O que será que os educadores têm a dizer sobre essa dificuldade pedagógica? Os pais dizem que as escolas querem um rótulo para seus filhos, exigindo um documento que os classifique como dislexos. A Lei nos diz que qualquer forma de discriminação é crime passível de pena. Eu digo que não há um grande esforço pedagógico para lidar com essa diferença... E você, o que me diz? Bem, logo estarei com os novos temas, novas pontuações e considerações e novas histórias de disléxicos que desafiaram o mundo. Fiquem bem!

sábado, 22 de março de 2008

A Duquesa da Morte desafiou os limites da dislexia.

Olá, hoje contaremos um pouco da história de Agatha Mary Clarissa Miller; Agatha Christie, a dama de todos os mistérios. A importância de sua biografia para os disléxicos reside, justamente, no fato de ter sido ela uma das maiores escritoras de romances policiais de todos os tempos. Além de o fato ser em si mesmo um feito prodigioso nos serve como uma ferramenta a mais na busca de se quebrar rótulos limitadores como ocorre com a dislexia. E por falar em limitação, deixo para todos vocês o meu incentivo para que busquem por informações e lancem-se sem medo na busca de novas alternativas para lidar com essa condição especial e tão nossa. Embora, eu acredite piamente nas pesquisas e no laborioso esforço dos profissionais das mais diversas áreas que lidam com o assunto, creio mesmo que só cada um pode encontrar para si sua justa medida de sucesso a ser obtido em tudo o que pretender realizar. As barreiras estão onde acreditamos que estejam. E se nos dizem que a dislexia é uma “deficiência para aquisição da linguagem escrita e oral, além dos cálculos” podemos até mesmo nem tentar fazer algo que envolva diretamente uma ou todas estas áreas. Imaginem, se essa informação fosse tão categórica e determinante não teríamos um Einstein na física ou uma Agatha na literatura policial, não é mesmo? Pensem nisso e Carpe Diem!


A fabulosa Agatha nasceu em Torquay, condato de Devonshire, Inglaterra a 15 de Setembro de 1890. Criada numa família tipicamente vitoriana foi preparada para que se tornasse uma profissional de canto lírico ou pianista, o que não ocorreu devido sua dedicação aos poemas e contos.

Recebeu toda a sua educação em casa até 1941, quando se casou com o Coronel Archibald Christie, de quem herdou o sobrenome que usara até o fim de sua vida.

Durante a Primeira Guerra Mundial Agatha se alistou como voluntária no exército da Cruz Vermelha, onde serviu como enfermeira e também como funcionária da farmácia e do dispensário, experiências que lhe forneceriam informações preciosas sobre poções venenosas e ações medicamentosas as quais usaria de forma preciosa em seus romances.

Acredita-se que sua experiência literária tenha sido iniciada a partir de um desafio que sua irmã lhe propôs para que escrevesse uma história policial de forma que o leitor não conseguisse descobrir o assassino até o final da leitura. Assim teria surgido O Misterioso Caso de Styles, que teve como protagonista um belga chamado Hercule Poirt, inspirado nos vários políticos belgas que se refugiaram na Inglaterra naquela época. Hercule Poirot seria, ainda, protagonista de uma série de outros livros, se consagrando como um dos maiores detetives já criados. Porém, a atenção do público para suas obras só veio em 1926 com O Assassinato de Roger Ackroyd.

Todo o mistério de suas tramas ficcionais passou a fazer parte de sua vida pessoal quando Agatha desapareceu neste mesmo ano, deixando pistas difusas que confundiram toda a polícia inglesa, o que levantou forte suspeita de autopromoção.

Em 1930, a romancista já divorciada, casou-se novamente. Desta vez com Max Mallowan, arqueólogo, com quem empreende viagens pelo Oriente tendo, inclusive, participado dos seus trabalhos de escavações. Por ocasião destas mesmas viagens a autora encontra inspiração no Oriente para muitas de suas obras de sucesso como: Morte no Nilo, Intriga em Bagdá e outros. Novos personagens surgiram em sua literatura, como Miss Jane Marple, uma velhinha simpática e profunda conhecedora da natureza humana, moradora da pequena Saint Mary Mead. Miss Marple estreou no livro Assassinato na Casa do Pastor.

Agatha Christie foi autora de cerca de 300 obras (entre romances de mistérios, poesias, peças para rádios e teatro, contos, documentários, uma autobiografia e seis romances publicados sob o pseudônimo de Mary Westmacott). Foram publicados mais de 80 livros seus que venderam mais de 1 trilhão de cópias em todo o mundo, fazendo da autora a maior escritora de romances policiais de todos os tempos. Seu talento e seu papel na literatura e nas artes foram oficialmente reconhecidos em 1956, ano em que foi distinguida com o título de Commander of the British Empire. Em 1971, a Rainha Isabel II a consagrou com o título honorável de Dame of the British Empire. A Rainha do Crime, ou a Duquesa da Morte (como ela preferia ser designada) faleceu no dia 12 de Janeiro de 1976 (e seu marido dois anos mais tarde), deixando par trás um legado universal traduzido para mais de cem línguas. No ano de 2000, a 31st Bouchercon World Mistery Convention galardoou Agatha Christie com dois prêmios: a considerou a Melhor Autora de Livros Policiais do Século XX e os livros protagonizados por Hercule Poirot a Melhor Série Policial do mesmo século.

O livro Cai o pano, que narra a última aventura do famoso detetive Hercule Poirot, embora tenha sido escrito em 1940, fora publicado em 1975. Isto porque Agatha preferiu matar a seu personagem mais famoso para evitar publicações póstumas – acaso não sobrevivesse à Segunda Guerra Mundial - com as quais não concordaria. A mesma providência tomou a autora com relação à sua personagem Miss Marple em Um Crime Adormecido, também escrito na década de 40. Tal atitude viria, também, a salvaguardar a renda proveniente de suas obras que legou a sua filha e esposo.

Fontes de pesquisa:

Wikipédia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Agatha_Christie


Edições ASA:

http://www.asa.pt/autores/autor.php?id_autor=1082

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